quinta-feira, 24 de novembro de 2016

2 Capítulo - A realidade bate na porta.

 - Senta ai minha filha. – meu pai falando pra eu sentar. – Então, você deve ter percebido que estamos maneirando nos gastos...
- Sim, eu andei percebendo, mais o que aconteceu?
- Ariel, decidimos falar com você agora, porque a Maria é novinha não intende muito bem. – minha mãe disse, me olhando meio diferente.
- Tudo bem mãe, mais o que aconteceu? Alguém morreu!? Não estou entendendo nada. – disse já agoniada com isso tudo.
- Não filha, vou direto ao ponto.
- Pode falar pai, eu aguento...
- Filha, nós fomos roubados, a nossa casa de show, estamos falidos. 
- O QUE? COMO ASSIM? – fiquei descontrolada.
- Eu e o Pedro, estávamos percebendo isso, ontem chegamos à conclusão...
- Filha, agora você vai ter que maneira no seus gastos, vamos ter que vender a casa de shows.
- Como assim, vender? Quem roubou a gente? 
- Não sabemos filha, mais o Pedro está duvidando do Alex.
- Alex? Quem é Alex, pai!?
- Era um sócio nosso também... Mais ele saiu no começo do ano da casa de shows...
- Tem outra coisa Ariel!
- Mais coisa, pai!?
- Sim filha, vamos nos ter que mudar do condomínio!?
- Não pai, vai ser o fim da minha reputação, todos não vão gostar de mim... O Felipe vai terminar comigo, estamos pobre!?
- Sim filha, estamos pobres...
- Meu carro, minha faculdade, e agora?
- Calma Ariel, vamos da um jeito.
- Calma pai!? Você vem falar que estamos pobres, e você vem me pedir calma, vou virar a pobre da faculdade.
- Minha filha, agora você vai ver quem gosta de você de verdade.
- Vocês não entende... – Subi correndo pro meu quarto, me tranquei lá. 

Passou algumas horas, alguém bateu na porta do meu quarto, era minha mãe com as caixas para embrulhar minhas coisas. Isso é demais pra mim, tudo no mesmo dia. Mais fazer o que, era a minha realidade. Comecei a arrumar minhas coisas, e de repente veio em minha cabeça a agencia da Fernanda, isso ia me tirar dessa vida. Ela começou lá e rápido já estava com bastante dinheiro. Acabei de arrumar minhas coisas, quando estava descendo vi meus pais conversando com Maria, ela sem entender nada direito, acabou concordando. Eu não estava acreditando. Colocamos nossas coisas do carro, e fomos em direção a nossa casa antiga, que na verdade era a casa da minha avó, não tinha vindo aqui depois que ela faleceu. Era bastante apegada com ela. Voltar lá me trás todas as lembranças dela.

- Nós vamos morar aqui? - Maria ficou olhando a casa, ela era muito nova quando vovó faleceu.
- Sim Maria, essa era a casa da Vó Ana, você era muito novinha quando ela faleceu.
- Eu nem me lembro dela, mamãe.
- Ariel tem fotos dela, ela te mostra depois.

Entramos na casa, minha mãe me mostrou onde seria nossos quartos, meu quarto era o que eu ficava lá, quando era mais nova. Meu pai tirou as coisas do carro e logo arrumei minhas coisas, eu precisava das minhas amigas, contar a elas que aconteceu.  

Amanhã vou ter que ir na faculdade, vou diminuir o número de aulas, mais não vou trancar ainda. Meu pai falou que ainda dava para continuar pagando ela, já estava no final também, falta apenas cinco meses para acabar. Acabei pegando no sono ali mesmo.

Acordei bastante cedo no outro dia, não queria encontrar meus pais, ainda estava muito abalada pelo o que aconteceu. Fui de carro mesmo pra faculdade, chegando lá fui direto pra secretaria pra eliminar algumas matérias, dei de cara com a Fernanda.

- A riquinha da faculdade veio tirar algumas matérias!? É a crise meu povo... - disse debochando da minha cara.
- Ainda bem que você está aqui Fernanda, quero ter uma conversa com você.
- Agora que estou com dinheiro, você quer falar comigo.
- Olha eu não estou afim de discutir, em que agência você trabalha?
- Calma aí, primeiro você vem tirar algumas matérias do seu currículo, depois vem perguntar que agência estou, estranho isso.
- Da pra falar logo? - Já estava ficando sem paciência.
- Olha como fala, na aula te dou o cartão de lá.

Já estava vendo que o meu dia não ia ser bom, essa menina acabava com a minha paciência. Pra completar ainda tinha que falar com Felipe e as meninas sobre o assunto de ontem. Ai meu Deus me ajuda. 

- Oi, meu amor - disse entrando na sala em direção ao Felipe.  
- Oi linda.
- Temos que conversar sério hoje.
- É sobre o quê!? - disse impaciente.
- Depois a gente conversa meu amor.
- Arielzinha, toma o cartão lá da agência. - Fernanda chegou atrapalhando nossa conversa.
- Obrigada.
- O que você tanto quer na agência da Fernanda!?
- Falei ontem com você amor, que estava pensando em fazer algumas campanhas.
- Ariel, está acontecendo alguma coisa na sua família!?
- Já falei que depois a gente conversa. - disse tentando fugir da conversa.

Passei à manhã inteira pensando como seria contar pra ele, como seria daqui pra frente.
As aulas acabaram e fui com Felipe até meu carro precisava falar o que estava com ele. O estacionamento já estava vazio entramos dentro do carro e contei tudo a ele. 

- Então quer dizer que você está pobre? - diz ele me olhando sem expressão alguma no rosto 
- Sim.
- Você acha que eu vou ficar com você? -  diz debochado fiquei em silêncio sabia que ele não ficaria mas ainda tinha esperança - está tudo acabado entre nós Ariel - diz ele extremamente frio saindo do meu carro.

Fiquei ali ainda um pouco, sem acreditar no que aconteceu. Felipe era tudo pra mim, eu estava perdendo tudo. Foi difícil acreditar que ele só está comigo por causa do meu dinheiro, eu amo muito ele ainda.

Chegando em casa passei pelos meus pais com cara de choro, eles ficaram me perguntando o que aconteceu, não respondi e fui direto para o quarto onde adormeci inerte aos meus pensamentos. Acordei no outro dia sem a mínima vontade de ir para a faculdade ainda bem que era sexta feira, me arrumei e fui tomar café meus pais estavam lá.

- Bom dia - digo me sentando 
- Bom dia filha o que aconteceu ontem pra você chegar chorando daquele jeito? - diz minha mãe
- O Felipe terminou comigo quando falei da nossa situação. 
-  Minha filha me desculpe - meu pai diz com a cabeça baixa e minha mãe parece inerte aos pensamentos 
- Eu sei que você não tem culpa, mais olha minha situação. – peguei e sai da cozinha e fui para a faculdade.

Ao chegar na faculdade vejo todos olharem para mim, e não era mais de administração era de deboche. Ao sair do carro começou os burburinhos.

- Olha só se não é a mais nova pobretona da faculdade - olhavam pra mim rindo, olho sem entender nada como isso se espalhou?          
- Além de perde à grana perdeu o namorado também - riem de mim 

Apresso meus passos e dou de cara com a Fernanda e suas amiguinhas no canto rindo de mim, não estava afim de encontrar com Felipe, mais ele era da minha sala não tinha como eu não encontrar com ele, fui pro refeitório e encontro minhas amigas lá.

- Amiga você precisa saber de uma coisa - diz Bia com um olhar de pena
- Eu já sei, sou o comentário da faculdade inteira, só queria saber quem espalhou isso tudo.
- Fernanda viu ontem você e o Felipe conversando, e espalhou hoje cedo na faculdade. - Esther disse olhando indignada Fernanda e suas amigas entrando no refeitório.
- Ari, nós vamos estar sempre com você! - Brenda diz.

- Obrigada meninas, mais já sei que vou fazer. Hoje vou dá um jeito na minha vida. - levantei da mesa, peguei minha bolsa. – mais tarde a gente se fala meninas.
- Ari, onde você vai!? – Brenda perguntou, com todas me olhando.
- Resolver minha vida, beijos.

Decidi, vou nessa agência da Fernanda e tentar conversar com a dona da agência, vê se eu arrumo alguma coisa. Fui em direção do meu carro, todos me olhando de um jeito diferente, não estava gostando disso. A agência era uns dez minutos da faculdade, cheguei lá rapidinho.

- Olá, bom dia. A dona Lúcia está? Sou amiga da Fernanda. – falei com a moça da recepção.
- Só um momento. – disse a moça, pegando o telefone. – qual é o seu nome?
- Ariel. – ela continuou falando no telefone, fiquei reparando a agência, era enorme lá, tinha várias meninas e meninos lá.
- Pode subir, ela já está te esperando. 
- É por ali!? – disse apontando para escada.
- Isso, é a sala na segunda direita.
- Tá bem.

Fui subindo as escadas olhando a agência como é, tinha várias fotos, capas de revistas, até tinha algumas fotos da Fernanda lá. Tinha várias pessoas lá trabalhando, muita gente. Quando cheguei lá, tinha um homem com a dona lá, quando entrei ele veio em minha direção. 

- Ai que bom que você veio, Fernanda falou sobre você. – ele pegou na minha mão e começou a me rodar. – nossa como você é linda, alta, magra, maravilhosa. – ele falava me rodando, a dona tava sentada na mesa só olhando. – resumindo você é MA-GRA-VI-LHO-SA. – falou pausadamente. 
- Calma Léo, você vai assustar a menina assim. – a dona falou me olhando e o moço. – você já percebeu o jeitinho dele né, liga não.
- Eu achava que eu podia ser modelo, mais você falando assim. Quando eu começo?
- Calma linda, você ainda precisa de um book. Você sabe que é um book né linda?
- Sei sim. Mais pra modelo não sei como é direito.
- No mundo da moda, são as fotos que a gente faz das modelos para apresentar os clientes, produtores de moda, de evento, donos de grifes, fotos bem feitas. 
- Entendi.
- Tem também o composite, que é isso daqui. – disse me entregando um papel. – é um cartão de visita com várias fotos mara, se o cliente se interessa a gente mostra o book, pra ele vê mais fotos sua, pra escolher seu rosto, seu perfil. – disse pegando no meu rosto. – porque eu sinto, que você vai ser a modelo, meus pelinhos estão até arrepiados. – pegou e esticou o braço.
- Como a gente faz o book?
- A gente marca, fotografo, cabeleireiro, maquiador, tudo top.

A dona da agência levantou e veio em minha direção, fiquei parada igual um manequim ela começou a ficar me rodando, me olhando.

- Um metro e setenta e oito, altura perfeita. – disse me rodando, me olhando.
- Meu pai é alto, minha família é toda alta.
- Você tem perfil de modelo mesmo.
- Você acha? – não estava acreditando.
- Acho, eu já ajudei muitas como você a começar, hoje elas desfilam pelo mundo, ganhando milhões. Dá uma andadinha querida.

Comecei a andar e todos ficaram me olhando, meio estranho isso. Mais tenho que ter foco, preciso disso pra me ajudar.

- Ela tem potencial. – Léo disse pra Lúcia.
- Ela tem que melhorar no andar.
- Disso eu me carrego. – Léo disse todo extravagante.
- Mais e o book? Tem que pagar?
- Ariel, eu fui modelo, eu conheço o chamado das passarelas. Eu patrocínio seu book.
- Sério?
- Sim, eu te seguro, o trabalho aqui é sério. As modelos é como minhas filhas, você deixa eu realizar seu sonho!?
- Claro, sem dúvidas. – disse muito animada, não estava acreditando.
- Você não vai se arrepender. 

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